sábado, 23 de fevereiro de 2013


Sabe aqueles dias em que você está bastante reflexivo...?


http://sphotos-d.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-prn1/28996_573414932669983_1221900890_n.jpgSim, há dias em que a gente para pra pensar na vida, nas tantas coisas que passamos, vivenciamos e curtimos. De repente, a vida muda, o amanhã nos traz algo novo. Na nossa mente pipocam incontáveis porquês. Afinal, muitas vezes somos pegos de surpresa pelas reviravoltas que o mundo dá. E são tantas voltas! Gratos por todas elas, sabemos que vêm acompanhadas por experiências diversas, umas boas, outras nem tanto, mas sempre experiências.

Infelizmente, durante o girar e girar do mundo, às vezes temos perdas que nos machucam demais. O certo e o errado se misturam e a emoção fala mais alto que a razão. Às vezes, apenas vemos momentos serem demitidos da nossa vida, mesmo tendo sido especiais. Apesar disso, a lembrança de todos eles, sejam bons e ruins, nos acompanhará eternamente e isso ninguém pode negar, mudar ou ocultar.

Não, não é possível simplesmente apagar as lembranças para fazer a nossa vida diferente. Lembranças fazem da vida marcante. Não, não podemos esperar que sejam apenas apagadas, pois já foram escritas no tempo, como que a ferro quente.
Estarão conosco sempre. Simples, porém não tão simples, mas eternos. Momentos.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

o que precisa fica, o que não precisa, sai - profissionalismo é economia, qualidade e emprego



Se você for capaz de contar uma boa história com as cenas essenciais para que ela faça sentido para o espectador, então você será um bom profissional e os investidores apostarão ainda mais em você. Isso é profissionalismo.

Final de férias e eu já estou com o segundo livro bastante adiantado. Hoje, enquanto escrevia uma cena, identifiquei uma inconsistência na história que me fez retornar em várias cenas anteriores para consertar os enlaces, que são aquelas amarras, os assuntos que se interligam e que fazem sentido ao longo da história.

E, da mesma forma, identifiquei um ótimo enlace, que não foi intencional, mas que acabou surgindo de repente e se encaixando muito bem no contexto da trama.

Esses são exemplos de situações que nos fazem ajeitar a história para que não fique com pontas soltas. Os enlaces são as informações importantíssimas, porém muitas vezes nos esquecemos deles ou os trocamos por tantas outras informações irrelevantes.

É comum para o jovem autor que está escrevendo seu primeiro livro de ficção querer exemplificar os acontecimentos com descrições extensas, tanto dos personagens, quanto de sua ação, quanto ainda do cenário em que a ação está se passando. Mas o excessos de palavras, linhas e páginas é saudável para a história? Como saber se há assunto demais ou de menos?

Vamos tomar como exemplo a indústria do cinema. Na produção de um filme, não é muito interessante como os acontecimentos estão todos entrelaçados e como nos surpreendemos com a forma com que eles se encaixam? Então puxamos pela memória cenas no início do filme e lembramos de ações dos personagens que no fim das contas deram certas "dicas" sobre como tudo poderia acontecer. Isso acontece pois tudo é planejado antecipadamente para ser anunciado/apresentado aos poucos ao espectador.


Ninguém sai gravando um filme sem preparo algum. Imagine se um diretor levanta da cama um dia e diz: "Hoje vou gravar um filme. Chame os atores e vamos improvisar!" Não, não funciona assim. Nada pode acontecer por acaso numa história de ficção bem contada, senão o espectador não irá entender o que levou determinado personagem a tomar esta ou aquela atitude para a história acontecer e fazer sentido.

Você já viu o filme Planeta dos Macacos: A Origem? Nele vemos bem esses fundamentos. Os macacos ficam inteligentes e fogem para a floresta liderados pelo macaco Caesar. Mas, antes de ficarem livres e irem para a floresta, primeiro a floresta para onde fugiram precisou ser apresentada ao Caesar, e isso foi feito. Mas antes disso ainda... 
 
Ou seja, tudo teve um motivo, uma causa, e depois houve uma consequência, se interligará com outra causa e assim sucessivamente.

Agora imagine os custos da indústria cinematográfica para a produção desse filme. Os diretores se arriscariam a inserir cenas que não fossem devidamente essenciais para a compreensão da história, mesmo sabendo que custariam muito dinheiro? Se você for capaz de contar uma boa história com as cenas essenciais para que ela faça sentido para o espectador, então você será um bom profissional e os investidores apostarão ainda mais em você. Isso é profissionalismo.

Ah, mas para contarmos uma história em livro, podemos escrever tudo o que quisermos pois os leitores serão obrigados a ler quando comprarem. Posso criar cenas em homenagem aos meus tios sobrinhos e ainda descrever nos mínimos detalhes aquela linda montanha que me emociona quando olho. Certo? Errado. A não ser que você queira que o leitor gaste dinheiro com seu livro uma única vez, se canse de ler uma história cheia de informações desnecessárias e depois nunca mais compre seu livro. Eu sei, já li livros assim.

Nesse sentido a indústria literária funciona da mesma forma que a cinematográfica. Cada página escrita de um livro tem um custo, cada letra impressa no livro tem um custo. O dono de uma editora, precisa mantê-la, pagar seus funcionários, pagar as despesas. O dono de uma editora precisa publicar livros que entretenham o leitor e o façam comprar novamente de sua editora. 

Uma editora grande recebe ao menos 100 originais por semana para avaliar. Imagine-se na pele de um editor diante do seguinte dilema:

a) O editor pode apostar na impressão de um livro que conte uma história em 250 páginas, com bons enlaces, suspenses, ganchos e com cenas que por si sós justificam o motivo de estarem lá, ou seja, o editor percebe que ali há um escritor profissional, do qual ainda poderá receber muitos bons manuscritos seguindo essa linha (isso significa baixíssimo custo com edição e ganho mútuo para a editora e para o autor); ou 

b) O editor pode apostar na impressão de um livro que conte uma história em 250 páginas, com enlaces ruins, acontecimentos não se encaixam na história; o autor inseriu descrições e mais descrições de cenários e personagens, deixando a história em segundo plano naquele momento; e não obstante, inseriu palavras e mais palavras rebuscadas para mostrar seu linguajar sofisticado.

Bem, o editor pode apostar em ambos. Um bom editor, se aplicar apenas conhecimentos técnicos, apostaria no item 1. Porém, o autor pode ser uma revelação entre o público-alvo, com muitos contatos e uma possibilidade de venda incrível, justamente por ter uma boa história ou por já ser um ídolo teen. Seria perder uma grande oportunidade não publicá-lo, mesmo que os custos de edição sejam autos Nesse caso, cabe ao dono da editora decidir. Publica, ou não?

A resposta a essa pergunta é relativa. O autor poderá vender ou não inúmeras cópias, é um risco a correr. Se não der certo, será mais um investimento ruim. Se der, será um autor, uma exceção em meio à pilha de originais semanais na mesa do editor. Ainda assim é uma decisão difícil. As exceções fazem parte constantemente em nossa vida, seja na literatura ou não.

Imagine então se o autor b) tivesse a mesma preparação profissional do autor a) , apresentasse uma história devidamente estruturada e deletasse as cenas e as descrições desnecessárias para que a trama fosse contada com a quantidade de cenas e palavras estritamente necessárias? Nesse caso, a editora gastaria menos com edição, impressão e insumos, ao mesmo tempo o autor teria bem mais chances de ser publicado, justamente por se igualar ao nível de qualidade editorial do autor profissional a).

Vê como profissionalismo significa economia, qualidade e emprego para todos os envolvidos no processo? Pense nisso e busque sempre profissionalizar-se, se destacar em meio à multidão de originais na mesa dos editores.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Escrevendo cenas

A 22ª Bienal do Livro de São Paulo me instigou a iniciar uma nova história. Isso porque desde que concluí meu primeiro livro (já faz alguns meses) não me senti inspirado a criar premissas e desenvolver um novo projeto.

Então resolvi. viajei em férias e, aproveitando esses dias para relaxar e repensar naquilo que eu queria para mim, esbocei uma nova trama, na mesma linha da anterior, infanto-juvenil. Mas desta vez optando por um realismo fantástico mais real que fantástico. E o resultado já está bem visível.

Após fazer o planejamento das cenas que compõem o projeto (que achei ser bem menor que o anterior), já escrevi 6 cenas com os devidos enlaces, tudo bastante intrincado à realidade adolescente. 

Busquei apresentar em cada cena alguns valores morais implícitos e estou feliz com as prévias. Sem dúvida esta segunda obra terá um resultado, para mim, mais satisfatório, principalmente pela experiência com o primeiro livro (já em análise por editoras) e pelas revisões e participações em um ou outro projeto literário.

A propósito, eu mencionei CENAS logo acima. Você já ouviu falar a respeito?

Você pode estar se perguntando se cenas não servem apenas para o cinema. Bom, para a literatura também serve.
Vamos aos conceitos.

Uma cena pode ser usada para qualquer coisa que você imaginar, desde o simples ato de abrir a porta, até um momento de suspense ou ação, por exemplo. Não existe um romance sem uma cena, pois um romance é formado por um conjunto de cenas.
          Contudo, é extremamente importante lembrar que a cena deve ser estruturada SEMPRE de forma a prender a atenção do leitor.

Uma cena se resume em:
- Ação x Reação, ou
- Causa x Consequência, ou ainda
- Cena x Sequela
          Ou seja, para se ter uma cena, é necessário haver um estímulo e uma resposta. E quem será influenciado diretamente por esse estímulo e essa resposta é o personagem que detém o Ponto de Vista (PDV) naquele momento.
          O "Estímulo x Resposta" é simplesmente a cena em sua macroestrutura: um objetivo momentâneo do personagem e uma resposta a esse objetivo.
          Já a cena em sua microestrutura precisa conter os seguintes elementos:
Estímulo
- Objetivo;
- Obstáculo (emocional ou físico);
- Complicação;


Resposta

- Reflexão;
- Dilema;
- Decisão.


Se analisarmos textos famosos, veremos nitidamente em suas cenas todos os elementos acima. As cenas podem ser curtas ou longas, dependendo da história, dependendo da situação pela qual o personagem está passando.


Então:
a) A cena deve ter um OBJETIVO. O que o personagem precisa fazer de importante naquele momento para dar sequência à trama?
b) Para prender a atenção do leitor, é necessário dificultar a chegada do personagem nesse objetivo, através de um OBSTÁCULO. Os seres humanos são curiosos. Ao colocarmos um obstáculo na cena, levamos o leitor a inconscientemente se perguntar "como o personagem vai conseguir sair dessa???".
c) O leitor pode ficar ainda mais preso à cena (querendo saber o que irá acontecer), se piorarmos ainda mais a situação do personagem. Para isso existe a COMPLICAÇÃO.
d) Antes de tomar uma atitude, o nosso personagem precisa pensar no que fazer. Se você me disser que na vida real muitas pessoas agem sem pensar, eu respondo: Na literatura, durante uma cena, os personagens DEVEM pensar antes de agir. É o que chamamos de REFLEXÃO.
e) A reflexão levará o personagem a um DILEMA sobre "o que fazer" naquele momento, deixando o leitor apreensivo e ainda mais curioso sobre a reação do personagem.
f) Por fim, ocorre a DECISÃO, onde, de preferência, deve haver um "gancho", ou seja, deve haver um final mal resolvido, que levará o leitor a ler a (s) próxima (s) cena (s).


Um livro profissional é todo como uma colcha de retalhos. Só que, neste caso, os retalhos são cenas, interligadas, costuradas por suspenses, dilemas, enigmas, dúvidas, complicações, que devem SEMPRE conduzir o leitor à frente.
         Faça o teste com um livro que você gosta. Se o autor desse livro conhece a técnica de construção de cenas, você identificará todas elas sem grandes problemas, basta “treinar os olhos”.
A estrutura acima é um exemplo de como construir uma trama bem envolvente, pois reúne elementos que atuam no cérebro do leitor como um estímulo ao suspense e à leitura. Não são itens obrigatórios, pois cada autor possui seu método de trabalho e seu estilo, porém são dicas valiosíssimas para quem está começando e busca antes de mais nada conhecimento para desenvolver sua própria maneira de escrever.

domingo, 12 de agosto de 2012

Retomando as postagens


Olá para quem está chegando, ingressos e regressos.

Estou em falta com minhas publicações há um bom tempo. Isso porque nessas andanças da vida muitas coisas aconteceram (para melhor - vou atualizá-los a cada publicação) e, como consequência, acabei ficando um pouco sem tempo para postar alguma matéria, alguma dica. Tanto é que volto ao blog com uma proposta diferente e com o objetivo de manter uma periodicidade.

Pretendo compartilhar agora não apenas dicas, mas vivências, pois acho importante não apenas o compartilhamento de conhecimento, mas também de experiências. Assim, quem visitar o blog, não importa a distância em que esteja, poderá conhecer um pouco mais do Fernando Heinrich, das histórias que escreve, seu público-alvo, dentre outras coisas.

No mais, vamos atualizar as aparências. Muito prazer. Este sou eu, paulistano, nascido em 1986, membro da Associação República dos Escritores e apreciador de bom um livro de entretenimento (apesar de eu também gostar muito de outros gêneros). Bem-vindos!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Estabelecendo Pontos de Vista (PDV) - Parte 1


Divulgação Olá, pessoal!

Descumpem-me a demora em atualizar o blog. 2011 foi um ano de muita correria e na última semana do ano faço jus ao descanso. Estou aproveitando para correr atrás das pendências literárias a fim de começar 2012 com novos projetos. Em breve meu livro estará pronto para ser enviado às editoras. A partir daí é cruzar os dedos.

    Divulgação

          Sim, chegamos num dos assuntos tão esperados, o famoso "PDV". James McSill (Interlúdio), em seus treinamentos, cobra muito essa questão no texto de autores que querem se profissionalizar.

          Por isso, vamos analisar trechos de textos profissionais e entender melhor como estabelecer o PDV. Por isso, peço mais uma vez que você deixe o seu preconceito sobre técnicas de escrita de lado e pense profissionalmente. Vamos analisar de forma fria e calculada textos de autores que fazem uso dessa técnica (e muito bem, por sinal).

          O PDV, ou Ponto De Vista, a grosso modo, é a linguagem (ou enfoque narrativo) sob a qual você contará a sua história. É o que chamamos de Mosca na Parede. A mosca vê só o que está em seu alcance.

          - Ah, mas eu não preciso me preocupar com isso. Uso narrador onisciente - você me diz.  Aham. Mas veja, estamos falando aqui sobre escrita de romances, não de textos jornalísticos. A menos que você tenha um texto excepcionalmente incomum onde consiga, em 100% dele, provar o porquê o narrador detém todos os pontos de vista (onisciência), o seu texto não passará de mais um no meio de tantos outros, de autores que sonham em ser escritores profissionais. Não é errado, mas TUDO na história deve ter um motivo para estar lá, cada palavra, pensamento, expressão e impressão sobre as coisas e pessoas.

          Ou seja, a menos que a sua ideia de premissa tenha como protagonista alguém que tudo , ouve e sente, e que você saiba como aplicar uma narrativa perfeita, não vale a pena arriscar o seu texto, ou o seu tempo, numa narrativa onisciente. Além do que, é muito menos complexo, mais divertido e emocionante construir uma trama envolvente e cheia de suspenses, quando o protagonista não sabe de tudo, mas tem que descobrir – junto com o leitor - coisas durante o andamento da história. Isso ajuda a prender o leitor ao livro.

          Então, antes de começar a escrever, pense nisso:
          1 - A sua história será contada por uma ou por mais de uma pessoa?
Se for por mais de uma pessoa, a troca de pontos de vista deve ser clara, para que o leitor não se perca entre os personagens.


          2 - Qual (s) personagem (s) irá (ao) deter o PDV?
Não é porque a sua história contém 5 personagens que nec
essariamente todos os 5 devam deter o PDV, a menos que a história peça isso.

          Então, baseando-se na sua premissa (que vimos no post anterior), você inicia a história situando o personagem em algum lugar no tempo e no espaço (falaremos mais a respeito desses assuntos no próximo post – Construindo cenas).

Gere empatia: coloque-se no lugar do personagem e veja através dos olhos de
le. Se o personagem fechar os olhos, ele poderá ouvir, sentir, cheirar, mas não ver. O uso dos cinco sentidos são importantíssimos numa trama.

Use/crie sentidos: O seu personagem tem algum poder especial? Que tal trabalhar com isso? O homem aranha possuía o sensor aranha. Jean Grey era telecinética. O seu personagem poderá, ou não, ter mais do que 5 sentidos (Dizem por aí que as mulheres possuem 6! Será? rs).



Vamos à prática?



Exemplo 1: Vamos analisar, num trecho de Harry Potter e as Relíquias da Morte (Rocco), como J.K. Rowlling utilizou muito bem o PDV:

          "Scrimgeour lançou a Harry um frio olhar de avaliação. O garoto teve a impressão de que o ministro estava refletindo se valeria a pena iniciar as hostilidades tão cedo".

          Aí eu te pergunto, como Harry sabia que o ministro Scrimgeour estava refletindo? A resposta é: ele não sabia. Com base no olhar avaliativo do ministro (Herry viu o olhar), Harry supõe que estivesse refletindo, ou ainda, Harry acha, Harry acredita, Harry pensa, Harry crê, mas Harry não sabe.

A mágica está justamente na forma em que o trecho foi construído, no sentido de que tudo levava Harry a crer que o ministro o avaliava naquele momento.




Exemplo 2: Em Fortaleza Digital (Sextante), veja como Dan Brown usou o PDV:
          "Cloucharde acordou por um breve momento. Teria gritado de dor se não houvesse alguém tapando a sua boca. Ele estava preso em seu leito, imobilizado por um peso aparentemente infinito. Podia sentir um ardor subindo ao longo de seu braço, produzindo uma dor insuportável, espalhando-se pelo peito e, em seguida, como um turbilhão de fragmentos de vidro, atingindo seu cérebro".

          A pergunta mais importante aqui é: como Cloucharde sabia que um turbilhão de fragmentos de vidro atingia o seu cérebro? A resposta: era vidro? Poderia até ser mesmo, mas ele não sabia.  A dor era tanta e a sensação que ele teve foi como se um turbilhão de fragmentos... Viu? As impressões do personagens são fundamentais para que não erremos no PDV. O personagem só sabe o que ele já viu ou ouviu. Se ele não está vendo o que se passa dentro do seu corpo eu não poderia escrever que um turbilhão de cacos de vidro invadiu o seu cérebro. O autor deve ser absolutamente claro nesse aspecto.



Exemplo 3: Fallen (Galera), de Lauren Kate:

          "Todos os outros alunos pareciam estar amontoados em volta das árvores estranguladas por trepadeiras do lado de fora de Augustine. Ninguém parecia exatamente feliz por estar do lado de fora, mas nenhum deles parecia disposto a entrar também".

          Apesar do excesso de palavras repetidas e ideias (que se estendem por todo o livro – não sei se foi a má tradução ou se a autora peca nesse sentido mesmo), Lauren Kate ao menos não errou no PDV deste trecho, que afirma 3  - três sólidas - vezes que todos os outros alunos pareciam estar amontoados, felizes, dispostos. Luce não sabia. Mas ela os viu e achou que estivessem.

NOTA: Entende como as impressões do personagem são essenciais na trama? O PDV está ligado diretamente à caracterização, personalidade, descrição de pessoas e lugares. E tais impressões, dependendo de quem detém o PDV, podem ser diferentes para as mesmas coisas, pessoas ou lugares.

- Mas você só está colocando exemplos em 3ª pessoa, Fernando!
- Ok, ok. Vamos ver dois exemplos de livros que usam narrador em 1ª pessoa.




Exemplo 4: terra de sombras (Intrínseca), de Alison Noël. A Autora escreve em 1ª pessoa e no tempo presente:

          “Faço mais ou menos que sim, o suficiente para fazê-lo descer as escadas tão depressa que mal distingo suas formas. As únicas coisas que revelam que ele esteve aqui são as pedrinhas em meu peito e a tulipa vermelha que ele deixou sobre a cama”.

          Veja, como Ever mal consegue enxergar a pessoa que sai do quarto. Pois foi tão depressa, que pouco distinguiu as formas do seu corpo.
          O PDV é como uma câmera nos olhos do personagem, acompanhando tudo o que ele realmente e sente, ou mal vê e mal sente, ou ainda, não vê, mas pode sentir e ouvir, até mesmo nem sentir.




Exemplo 5: Em Interlúdio (Parêntese), James McSill utiliza com maestria a 1ª e 3ª pessoas na mesma trama. 1ª pessoa para Lázaro e 3ª pessoa para Dennis.

-> PDV de Lázaro:

          - Hey! - Ele emitiu um "hey" bem americano. Vai ser ótimo ter companhia. Acha que vai gostar de mim?
          Meu rosto ferveu. "Luz da minha vida", ecoou o Lécio na minha mente, "esse garoto tem pés bonitos, mas não deve ter bons miolos. Isso é pergunta que se faça, assim, de sola?"

-> PDV de Dennis:

          A esquina, agora, estava quase erma, não fossem três travestis fumando, empoleirados no parapeito de uma janela aberta do Fruto Proibido, acenando Feliz Natal para os clientes embriagados, que se arrastavam para os carros no fim da quadra.
Dennis olhou o relógio.

a) Vejam como Lázaro tem suas próprias impressões acerca de Denis. Na expressão Meu rosto ferveu, fica claro que Lázaro - o narrador naquele momento, em 1ª pessoa - é quem detém o PDV na cena.

b) No segundo trecho, Dennis - que é narrado em 3ª pessoa - o que se passa na rua. Se vendassem os seus olhos, o que ele veria? Nada. A narrativa teria que ser reescrita de forma que as impressões do que ouviu ou sentiu pudessem fazê-lo concluir alguma coisa. Mas nunca sabendo, sempre achando, comparando, parecendo, imaginando etc.


          ERRAR no PDV é muito fácil e ocorre em 99,5% dos casos - deixo aqui 0,5 para o diálogo - durante a narrativa (vejo livros de autores conhecidos com erros). Mas, sabendo onde não se deve errar e, com um pouquinho só de prática consciente, conseguimos analisar o texto e identificar os pontos inconsistentes nesse aspecto.

          Treine o PDV, na leitura, na escrita. Analise nas obras de que gosta, Best-sellers ou não, como o autor narra as ações e as impressões que cada personagem tem sobre outras pessoas, coisas, enfim, sobre o ambiente ao redor.

          Lembre-se:

          Quem detém o PDV: SABE.
          Quem não detém o PDV: ACHA, PENSA, SUPÕE, CRÊ etc. etc.

          Espero que tenham curtido as dicas e que lhes sejam úteis.

          Um grande abraço! .-)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Iniciando a sua 'estória' com uma Premissa






          Olá para você que chegou em mais um final de semana e definitivamente só quer saber de relaxar e não precisar acordar cedo, deixar o amanhã para depois!

          Sim, eu sei como é. Mas o seu dia seguinte tem que começar em algum momento, não? Muitas pessoas costumam planejar o dia logo pela manhã, para não correrem o risco de se perderem em meio aos compromissos e dizerem a si mesmos: "E agora, o que eu faço?". Bem, com as "estórias" funciona da mesma forma. Vou dizer porque.


O assunto de hoje será:
- Iniciando a sua estória com uma Premissa.
(Uma premissa vale para qualquer romance)


         
NÃO DEIXE DE LER: Antes de qualquer coisa, vou te fazer um pedido: para analisarmos friamente os exemplos, esqueça os seus preconceitos sobre técnicas de escrita, sobre planejamento. Deixe de lado por um momento a escrita que vem do coração, aquela que, a cada nova linha, sopra em sua alma a continuidade da trama. Ok? Conseguiu? Se ainda não funcionou, inspire, expire e recomece a ler o parágrafo. Este é um ótimo exercício. Vale a pena refazer, eu juro. Outra coisa, o termo "estória" pode não ser mais usual, mas nunca deixou de estar correto. E, para fins didáticos, ele se aplica perfeitamente neste post.

          Veja. Uma história funciona como o acordar e o levantar-se para planejar o dia. Sério. Bem diz o colega e amigo Alexandre Lobão (O Nome da Águia) em seu blog Vida de Escritor, "Primeiras coisas primeiro". Certo dia, você acorda com uma brilhante ideia e levanta da sua zona de conforto para escrever. A partir daí, você faz a pergunta: legal, eu sei o que quero escrever, mas como começo e que etapas devo seguir até concluir o meu livro?

          Resposta: Tudo começa com uma ervilha - Com uma o quê?

          Certo dia, James McSill (interlúdio) me disse: "imagine uma ervilha. Ela é a sua premissa. A partir dela a sua história começa".

          Todo grande livro tem em si uma ervilha. A ervilha representa o ponto de partida de uma estória. É a ideia central, que parece pequena, mas a partir de onde toda a trama se desenrola, podendo ser um livro único ou uma série. Se à medida que escrevemos a nossa estória "entortar", damos uma olhadela na premissa para sabermos o que devemos corrigir para não fugir da proposta.

          - Proposta? - Sim. Você entendeu certo. A premissa é a sua proposta de livro. - Mas, como fazê-la? - Segundo o próprio James, o enredo de qualquer romance deve apresentar 4 Elementos Básicos:

1 - Uma situação central (trama);
2 - Um protagonista;
3 - Um objetivo do protagonista;
4 - Um antagonista;
5 - Um objetivo do antagonista que convirja com o do protagonista.

          - Ah! Isso não existe. Tá querendo me ensinar receita de bolo. - você me diz. E eu respondo - Se você ainda acredita nesse papo de receita de bolo, volte ao parágrafo "Não deixe de Ler" e recomece a leitura do post. E digo mais, o conceito de Premissa não só existe como há muito tempo escritores profissionais aplicam essa técnica em suas obras literárias e em filmes, mas você nem sabia! Quer ver?

          Vamos analisar a premissa de Harry Potter, citada por Lobão em seu site “Vida de Escritor” e adaptada por mim, seguindo sempre os Elementos Básicos acima.

1 - "Órfão, vivendo em um porão embaixo da escada e desprezado pela família adotiva, ao descobrir que seus pais eram bruxos,
2O jovem Harry Potter vai para uma escola de bruxos em busca de descobrir os segredos do seu passado. Conseguirá
3 - Voldemort
4
- matá-lo, assim como fez com seus pais, antes que Harry se torne um bruxo adulto, com pleno controle de seus poderes?".




          - Credo! Que coisa mal escrita - você me diz. E eu respondo - A premissa não tem que ser bonitinha não. Ela é o cerne da sua história e não a sua sinopse ou a estória em si. Ela é o primeiro passo apenas, o todo e não as partes.

          Como diria o amigo escritor Oswaldo Pullen (Deforete), "a Premissa é a história da sua estória". Lembre-se disso.

          Bom, a partir do momento em que a Premissa principal estiver bem estruturada, você poderá trabalhar a estória, de acordo com as perspectivas de outros personagens, inclusive do antagonista. Construa uma premissa para ambos e você terá uma história ainda mais amarrada. Veja a 2ª Premissa para a história de HP, agora sob a perspectiva de Voldemort:

1
- "Após saber da profecia, na qual diz que aquele com o poder de derrotar o Lorde das Trevas estava prestes a nascer, e falhar na missão de assassiná-lo, tornando-se acidentalmente um "quase-morto",
2
Voldemort tenta retomar o seu antigo poder e tornar-se imortal para reinar no mundo mágico. Será ele capaz de derrotar
3
- Harry Potter,
4
- o jovem bruxo, cujos pais matou em seu lugar, e que ameaça derrotá-lo, segundo a profecia?“.



          Viram? A premissa cria a história dos seus personagens e auxilia a tornar a trama verossímil. Teste isso com outras histórias de sucesso. É um exercício.

          Como eu disse no início, a premissa vale para qualquer romance, e me permitam incluir aqui filmes.

          Pullen, que ministra oficinas de escrita criativa em Brasília, citou em seu site um exemplo muito interessante de Premissa de um filme de 1989, Batman.



1“Em Gotham City, cidade habitada por uma sociedade burguesa degradada pela corrupção policial, abusos ambientais, excessos corporativos, ganância e imprensa sensacionalista e manipulada,
2
- Bruce Wayne
3
- Assume a identidade de Batman para lutar contra o crime. Será que Bruce conseguirá vencer o principal criminoso, que é
4
- O Coringa
5
- Que tudo faz para dominar a cidade e matá-lo?”.
Aplique agora uma premissa ao Coringa. Assim as grandes histórias se formam.

          Não se esqueçam que essas não são regras, mas sim análises de tramas conhecidas, que auxiliaram e auxiliam muito escritores profissionais a direcionar a escrita dos seus romances e torná-los verossímeis o suficiente para prender a atenção do leitor e evitar furos em suas histórias. Saber como uma trama foi construída nem é tão difícil. Mas é no momento da prática da escrita que as dúvidas surgem e uma boa orientação se faz necessária.
        Atenção: um antagonista não precisa necessariamente ser um humano. Porém, as pessoas se identificam com seres humanos e por eles têm empatia. Vale a pena pensar nisso. Fica a dica.

          Espero que tenham gostado. Comentem e divirtam-se com as premissas de suas estórias!

          Um grande abraço e até mais! o/

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Jornada do Herói: os 12 passos de Campbell

          Rumo aos 12 Passos de CampbellOlá! Você está pronto para conhecer um pouco mais sobre a escrita de ficção fantástica, onde, não raro, temos um protagonista que passa por diversos obstáculos?

O assunto de hoje será:

- A Jornada do Herói: os 12 passos de Campbell.



          A Jornada do Herói". Você já conhecia essa expressão? É nada mais nada menos do que uma convenção, um paradigma literário identificado em diversas narrativas e que, diga-se de passagem, tem funcionado muito bem na ficção fantástica, pois auxilia muitos escritores na construção de uma trama emocionalmente, envolvente e verossímil.

          Joseph Campbell, em seu livro O Herói de Mil Faces (Cultrix/Pensamento), nos apresenta 12 Passos pelos quais a Jornada do Herói se sucede, além de se embasar na psicanálise para justificar a verossimilhança desse modelo. Ou seja, em que ele se assemelharia à nossa vida, a ponto de nos prender pela empatia. Vamos ver que passos são esses.

          Usarei o mesmo exemplo que James McSIll (Interlúdio) apresentou certa vez durante um de seus cursos: O livro O Hobbit (J. R. R. Tolkien). Mas, usarei também um segundo exemplo, uma série que nos acompanhará ao longo de grande parte das nossas colunas semanais. Neste caso, o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal (J. K. Rowlling).

Passo 1 – Mundo Comum
O herói é apresentado em seu dia-a-dia.

Exemplo1: A história de O Hobbit começa com a apresentação do Condado e de Bilbo em sua toca-casa. Ou seja, a caracterização do personagem dentro de um ambiente normal para ele e para o seu mundo.

Exemplo2: Em Harry Potter, Harry nos é apresentando em sua vida comum, como um garoto morador de um porão debaixo da escada. Ele convive com os seu primo e tios malucos.

Passo 2 – Chamado à aventura
A rotina do herói é quebrada por algo inesperado, insólito ou incomum.

Exemplo1: Gandalf, o mago, aparece na porta de Bilbo e o convida para participar de uma aventura.

Exemplo2: Harry recebe uma avalanche de cartas trazidas por corujas, convidando-o a estudar em Hogwarts.

Passo 3 – Recusa ao chamado
Como já diz o próprio título da etapa, nosso herói não quer se envolver e prefere continuar sua vidinha.

Exemplo1: Bilbo recusa o convite de Gandalf, pois “não era respeitável para um hobbit sair em busca de aventuras”.

Exemplo2: O tio de Harry faz esse papel e o proíbe de ir para a escola de bruxos.

Passo 4 – Encontro com o Mentor
O encontro com o mentor pode ser tanto com alguém mais experiente ou com uma situação que o force a tomar uma decisão.

Exemplo1: Por influência de Gandalf e de instintos herdados de sua família, Bilbo decide participar da aventura.

Exemplo2: Harry recebe a visita de Hagrid, o meio-gigante responsável por, digamos, escoltar Harry até Hogwarts.

Passo 5 – Travessia do Umbral/ Limiar
Nessa fase, nosso herói decide ingressar num novo mundo. Sua decisão pode ser motivada por vários fatores, entre eles algo que o obrigue, mesmo que não seja essa a sua opção.

Exemplo1: Bilbo e seus companheiros de aventura se deparam com três trolls numa floresta. Bilbo, como ladrão “designado” pelo grupo, arrisca-se em descobrir mais sobre os trolls e até tenta roubá-los.

Exemplo2: Harry atravessa a parede do bar, que dá acesso ao mundo dos bruxos pelo beco diagonal.

Passo 6 – Testes, aliados e inimigos
A maior parte da história se desenvolve nesse ponto. No mundo especial – fora do ambiente normal do herói – é que ele irá passará por testes, receberá ajuda (esperada ou inesperada) de aliados e terá que enfrentar os inimigos.

Exemplo1: A aventura de Bilbo continua. Ele passa por Valfenda, a terra dos elfos, atravessa as Montanhas Sombrias, a Floresta das Trevas e a Cidade do Vale.

Exemplo2: Passam-se os primeiros dias em que Harry está na sua nova escola, num mundo diferente. Faz amigos e inimigos e descobre sobre a existência da pedra filosofal.

Passo 7 – Aproximação do objetivo

O herói se aproxima do objetivo de sua missão, mas o nível de tensão aumenta e tudo fica indefinido.

Exemplo1: Bilbo chega, finalmente, à Montanha Solitária, o covil de Smaug, o dragão.

Exemplo2: Harry e seus amigos passam por Fofo, atravessam a sala de chaves, vencem o Xadrez de Bruxo. Harry encontra o Professor Quirrell e Voldermort.

Passo 8 – Provação máxima

É o auge da crise – precisa dizer mais?

Exemplo1: Bilbo, sozinho, enfrenta o dragão, num diálogo no qual ele tenta descobrir as fraquezas do monstro.

Exemplo2: Apesar de ser um bruxo muito jovem, Harry enfrenta Quirrell com a magia de proteção que lhe havia sido imposta pela sua falecida mãe.

Passo 9 – Conquista da recompensa
Passada a provação máxima, o herói conquista a recompensa.

Exemplo1: Bilbo consegue retirar o dragão da Montanha Solitária e os homens da Cidade do Lago matam o monstro.

Exemplo2: Harry encontra a pedra filosofal e derrota Quirrell. Voldemort, enfraquecido, precisa se esconder novamente.

Passo 10 – Caminho de volta
É a parte mais curta da história – em algumas, nem sequer existem. Após ter conseguido seu objetivo, ele retorna ao mundo anterior.

Exemplo1: Bilbo se prepara para voltar para casa.

Exemplo2: Harry se recupera em Hogwarts e prepara-se para retornar ao mundo dos trouxas.

Passo 11 – Depuração
Aqui o herói pode ter que enfrentar uma trama secundária não totalmente resolvida anteriormente.

Exemplo1: Um exército de Orcs e Lobos Selvagens ataca os anões da Montanha, elfos da Floresta e os homens da Cidade. Acontece a Batalha dos Cinco Exércitos.

Exemplo2: Harry e seus amigos, pelos seus últimos feitos em auxílio à Hogwarts, somam pontos à casa Grifinória e vencem a disputa entre as casas.

Passo 12 – Retorno transformado
É a finalização da história. O herói volta ao seu mundo, mas transformado – já não é mais o mesmo.

Exemplo1: Finalmente, Bilbo retorna ao lar. Escreve um livro sobre suas aventuras, e se torna o estranho hobbit que gosta de aventuras.

Exemplo2: Após o primeiro ano na escola de magia, ansiosos para se encontrarem no ano seguinte, os alunos se despedem de Harry, que retorna ao mundo dos trouxas, onde a convivência com os seus tios nunca mais será a mesma.

          Viram?  À medida em que conhecemos a estrutura, fica mais fácil identificar os Passos acima em diversos livros. Claro que Os 12 Passos de Campbell não constituem uma regra, pois na ficção não existe apenas “A Jornada do Herói”. Ainda assim, o modelo de Campbell é muito utilizado por diversos escritores, muitos deles de sucesso.

          A Jornada do Herói não é um segredo e muito menos uma regra, mas sim um “norte”, algo que o oriente e/ou auxilie a elaborar uma trama envolvente. Em meu livro recém-escrito, utilizei os 12 Passos da Jornada do Herói, numa trama muito diferente de O Hobbit ou Harry Porter. Não me senti preso enquanto escrevia, muito pelo contrário. A dificuldade não está em criar uma história com base em uma orientação, mas sim em deixar de acreditar que para escrever uma boa história de herói não é necessário entender como os grandes escritores Best Sellers escreveram os seus livros.

          Naturalmente que os 12 passos de Campbell não são tudo para se ter uma boa história de herói. Nos próximos posts veremos porque.

          Espero que tenham gostado! Deixem seus comentários!

          Um grande abraço e Até a próxima!   o/